21 de Janeiro, 2005

O Portão

Era como se, derrepentemente, acordei.

Poucos minutos atrás já faziam parte de uma vaga memória; Eu observava aquele novo mundo ao qual fui levado, estava ali, e só isso bastava no momento, analisei tudo e imaginava como seria minha presença ali, e acostumado com tantas mudanças, seja na vida ou nas lembranças (quem sabe apenas por capricho ou na busca de formulas loucas de mudar os fatos doídos do passado) levei tudo como algo corriqueiro.

Na mala tinha sobrado apenas um sorriso bobo e de lado, quase inexistente, sendo o ultimo guardado sem valor, acho que quase o perdi na viajem. Sem valor, sem reconhece-lo.

Na minha frente um portão, na entrada do novo mundo, mais um capitulo da minha tediosa saga, bastava andar para ver todo aquele entusiasmo, então porque eu estava parado? Algo me segurava, algo me fazia temer, era um tempo que minhas ideias viam por vir, jogadas constantemente no lixo, sem vida, sem forma, sem nome.

Naquele momento algo mudou, lembro que a partir dali eu dei forma ao bem e ao mal, guardei pensamentos e os valorizei, por incrível que pareça dei valor a algo que não perdi, isso é magico! E só de pensar nisso meu sorriso de lado criou motivo pra continuar intacto, não precisava mudar, precisava existir.
O bem e o mal, unidos, criados, pensativos, é somente um no final das contas, fundamentados para eu viver me baseando na vaga lembrança.

Passou algum tempo. 

Bateu a saudade.

Passou mais tempo.

Novamente a saudade, mas saudade do que? O consolo que eu tinha estava morrendo, se eu pudesse humaniza-lo seria um soldado já quase morto sem ao menos ter ido pra guerra. Se eu pudesse defini-lo em uma palavra seria “fracasso”.

O Soldado morreu, as coisas mudaram; onde me basear? Em que me basear? 
Começava ali então a real valorização do sorriso de lado, que por tempos ficou esquecido, mas agora retornava com a proposta de dar um rumo certo, firmar meus passos além do portão.
Três passos, o portão já era outra vaga lembrança. 

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